PalliCast debate como a nova resolução do CFF impulsiona a atuação dos farmacêuticos nas equipes multiprofissionais de cuidados paliativos

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28 de julho de 2026

PalliCast debate como a nova resolução do CFF impulsiona a atuação dos farmacêuticos nas equipes multiprofissionais de cuidados paliativos

A recente regulamentação do Conselho Federal de Farmácia (CFF) sobre a atuação dos farmacêuticos em cuidados paliativos representa um importante avanço para a consolidação das equipes multiprofissionais e para a qualificação da assistência aos pacientes com doenças ameaçadoras da vida. O tema foi discutido no episódio nº 60 do PalliCast, podcast da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), que recebeu Fernanda Maria Teófilo Campos, coordenadora do Comitê de Farmácia da ANCP, e Renan Gabriel Requena, integrante do Comitê. A mediação foi da psicóloga e diretora de Comunicação da Academia, Daniela Aceti.

Ao longo da conversa, os especialistas mostram como a profissão vem passando por uma profunda transformação. Se antes o farmacêutico era reconhecido principalmente pelo trabalho na dispensação de medicamentos, hoje ocupa posição estratégica no acompanhamento clínico dos pacientes, participando da construção do plano terapêutico, do manejo de sintomas, da prevenção de eventos adversos e da orientação de pacientes, familiares e equipes de saúde.

“A gente vem para dar um complemento, uma qualidade no atendimento. Entendendo do medicamento e colocando esse conhecimento a serviço do paciente e da equipe”, resume Renan Requena.

Fernanda Campos destaca que essa atuação já está presente em todos os níveis da Rede de Atenção à Saúde, desde a Atenção Primária até os serviços hospitalares e de assistência domiciliar. “O farmacêutico entende as necessidades do paciente, personaliza a farmacoterapia, atua fortemente na adesão ao tratamento e acompanha toda a evolução clínica para que o cuidado seja o mais completo possível”, afirma.

Segundo os convidados, a regulamentação do CFF consolida esse processo ao reconhecer oficialmente os cuidados paliativos como área de atuação do farmacêutico e estabelecer diretrizes claras para o exercício profissional. O documento também fortalece a implementação da Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP), publicada em 2024, e oferece segurança jurídica para a expansão dessa atuação nos serviços de saúde.

“A resolução é a munição que a gente precisava para pleitear disciplinas na graduação, vagas nos equipamentos de saúde e mais segurança para atuar. A Política Nacional de Cuidados Paliativos é o nosso norte; a resolução é a ferramenta prática que organiza essa atuação”, afirma Fernanda.

Renan destaca que o reconhecimento institucional também representa um marco para a formação de novos profissionais. “Os alunos de Farmácia passam a sair da universidade sabendo que atuar em cuidados paliativos é uma possibilidade reconhecida pelo Conselho Federal de Farmácia. Isso amplia horizontes e fortalece uma área que até pouco tempo era praticamente invisível na graduação”, explica.

Outro destaque é a criação da figura do farmacêutico navegador, profissional responsável por acompanhar o paciente ao longo de toda a jornada assistencial, articulando os diferentes pontos da Rede de Atenção à Saúde. “Esse farmacêutico será a verdadeira ponte entre os diferentes níveis de cuidado. Ele conhece o paciente, acompanha sua trajetória, identifica necessidades e ajuda a garantir continuidade da assistência”, explica Fernanda. Além de orientar sobre medicamentos, esse profissional também poderá facilitar o acesso às políticas públicas e aos tratamentos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

Na prática clínica, os farmacêuticos desempenham papel decisivo na segurança do tratamento, colaborando com a equipe na escolha das melhores estratégias terapêuticas, especialmente no manejo de opioides, na prevenção de interações medicamentosas e na individualização das doses. “A gente não define a conduta médica, mas contribui para que ela seja a mais segura possível. Avaliamos características do paciente, como função renal, histórico de reações adversas e possíveis interações, antecipando problemas e ajudando a equipe a tomar decisões mais assertivas”, explica Fernanda.

Renan acrescenta que o farmacêutico também participa ativamente das discussões clínicas e da elaboração do plano terapêutico. “O farmacêutico tem muito a contribuir nas transições de medicamentos, no controle de sintomas e na busca de alternativas para situações complexas. Hoje conseguimos participar efetivamente da construção do plano de cuidado”, ressalta.

A conversa também aborda um dos principais desafios da profissão: incorporar competências relacionadas à comunicação, à escuta qualificada e ao cuidado humanizado. Para os convidados, o conhecimento técnico, embora essencial, já não é suficiente para atender às necessidades das pessoas que vivem com doenças graves. “O farmacêutico que entende apenas de medicamento não é mais suficiente. É preciso compreender o paciente, criar vínculo e enxergá-lo em toda a sua singularidade”, reforça Fernanda.

Renan destaca que a regulamentação acompanha uma mudança de paradigma na assistência em saúde. “Hoje não há como falar em saúde baseada em valor sem olhar para o paciente, entender suas prioridades e construir esse vínculo. A resolução nos dá respaldo para transformar essa realidade e levar essa visão humanizada para outras áreas da profissão”, completa.

Ao encerrar o episódio, Daniela Aceti destacou que a nova regulamentação amplia o reconhecimento da contribuição dos farmacêuticos nas equipes multiprofissionais e fortalece a disseminação dos cuidados paliativos no país. “A ideia é ampliar a compreensão sobre o papel desses profissionais e levar essa mensagem para diferentes espaços de formação e assistência”, conclui.

O programa está disponível nas plataformas digitais e integra a série de conteúdos do PalliCast voltados à qualificação do Cuidado Paliativo no Brasil.

Clique aqui e ouça o episódio nº 60.

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Mais informações:

Presstalk Comunicação Corporativa – Assessoria de imprensa da ANCP (Academia Nacional de Cuidados Paliativos)

Thais Abrahão (thais@presstalk.com.br) – (11) 9 9900-8402 / (11) 3061-2263 e Rosana Monteiro – (rosana@presstalk.com.br) – (11) 3062-0843

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